Berachain: comunidade e memes antes do produto (e a conta que veio depois)
A Berachain construiu a comunidade antes de existir produto: começou em 2021 com 107 NFTs de ursos fumando bong e virou uma das comunidades mais fervorosas do cripto. Levantou US$ 142 milhões e fez um airdrop de mais de US$ 1,1 bilhão. Seis meses depois, o BERA caiu até 97% e a TVL virou pó.
Resumo
A Berachain inverteu a ordem clássica e construiu comunidade e cultura própria (ooga booga, bm, Proof of Liquidity) antes do produto, coroando com um airdrop de US$ 1,1 bilhão. Mas hype precede fundamento e fundamento cobra a conta: seis meses depois o BERA caiu até 97% e a TVL despencou de US$ 3,3 bilhões pra menos de US$ 300 milhões. Fervor não é retenção.
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- A Berachain fez o caminho que quase ninguém tem coragem de fazer: construiu a comunidade antes de existir produto. Tudo começou em 2021 com uma coleção de 107 NFTs de ursos fumando bong (os "Bong Bears"), saída da comunidade da OlympusDAO. A blockchain veio depois. A cultura veio primeiro.
- A máquina de fervor era pura cultura de internet: linguajar próprio ("ooga booga", "henlo", "bm" no lugar de "gm"), founders anônimos com nome de urso (Smokey the Bera, Papa Bear, Dev Bear), e um testnet que virou ritual. O testnet público "Artio" passou de 1,5 milhão de carteiras e 7 milhões de transações. Comunidade antes de tudo.
- O mecanismo virou narrativa: a Proof of Liquidity (PoL) prometia recompensar quem fornece liquidez, não quem só faz stake. Mais o modelo tri-token (BERA gas, BGT governança, HONEY stablecoin) deu à comunidade um conceito complexo pra discutir, defender e evangelizar por meses. Marketing por mecanismo.
- O hype virou números reais no lançamento. A Berachain levantou cerca de US$ 142 milhões (incluindo US$ 100 mi de Série B a valuation de US$ 1,5 bi), atraiu cerca de US$ 3,3 bilhões na plataforma de pré-lançamento Boyco e fez um airdrop avaliado em mais de US$ 1,1 bilhão no pico do dia do mainnet (6/fev/2025).
- O asterisco que define o case: hype precede fundamento, e fundamento cobra a conta. Seis meses depois, a história virou survival. O BERA caiu de um pico perto de US$ 14,83 pra a casa de US$ 0,70 (queda na faixa de 90% a 97%). A TVL despencou de US$ 3,3 bilhões pra menos de US$ 300 milhões. Vieram demissões e saída de devs. A comunidade que construiu o fervor descobriu que fervor não é o mesmo que retenção, e que o modelo de emissão tinha prazo de validade.
O case que inverte a ordem que todo mundo aprendeu
Tem uma sequência que parece lei da natureza no mundo de produto. Primeiro você constrói o produto. Depois você acha os usuários. Por último, com sorte, nasce uma comunidade em torno do que você fez. Produto, usuário, comunidade, nessa ordem.
A Berachain fez ao contrário. Começou pela comunidade. Depois construiu uma cultura. E só lá no fim, anos depois, entregou o produto. Em 2021, dois membros da comunidade da OlympusDAO (na época um dos protocolos DeFi mais quentes) lançaram uma coleção de 107 NFTs de ursos fumando bong. Não era roadmap de blockchain. Era piada interna virando arte. A blockchain "Berachain" só apareceu como rumor em 2022 e como mainnet em 2025. Quatro anos depois da primeira piada.
O detalhe que importa pra quem trabalha com marketing: a Berachain provou que dá pra construir uma das comunidades mais fervorosas do cripto sem ter, por anos, nada concreto pra vender. O fervor veio da cultura, não do produto. E essa é a parte sedutora do case. A parte que ninguém posta no Twitter é a outra metade: o que acontece quando o produto finalmente chega e a comunidade descobre que torcida não paga as contas. As duas metades cabem no mesmo case, e é por isso que ele ensina tanto.
Fonte: Medium (A Berachain Journey: dos NFTs à Proof of Liquidity)
A jogada em fases
Fase 1: o NFT que era piada e virou semente
No verão de 2021, com a OlympusDAO no auge, dois membros da comunidade conhecidos como Smokey the Bera e Papa Bear decidiram lançar a própria coleção. Saíram 107 NFTs de ursos fumando bong. O nome, "Bong Bears", já dizia o tom: não era projeto sério querendo parecer divertido. Era diversão genuína que, sem querer, virou âncora de identidade.
A sacada de mecanismo (porque tinha mecanismo, mesmo numa piada) foi o rebasing. Diferente de NFT comum, os Bong Bears recompensavam quem segurava com NFTs futuros ao longo do tempo. A primeira coleção que gerava outras. Isso criou uma corrente de pertencimento: quem tinha o NFT original ganhava acesso às novas levas (Boo Bears, Baby Bears), o que transformou holder em insider e insider em membro vitalício de um clube. No fim de 2021 a comunidade já fazia noites de pôquer, e o trio se formou com a chegada do Dev Bear.
A lição aqui é fina. A Berachain não começou com um whitepaper. Começou com um objeto de pertencimento. O NFT não era o produto, era o carimbo de "eu estava aqui desde o começo". E carimbo de pertencimento é o ativo de comunidade mais durável que existe, porque ele não depende de o produto funcionar. Depende só de a pessoa querer fazer parte.
Fase 2: a cultura própria como fosso
Aqui está a peça mais subestimada do case, e a mais difícil de copiar. A Berachain construiu um dialeto inteiro. A comunidade trocou o "gm" (good morning, o cumprimento padrão do cripto) por "bm" (bear morning). Criou "henlo" no lugar de "hello". E elevou "ooga booga" a grito de guerra. Cada termo desses é um teste de pertencimento disfarçado de meme: quem usa pertence, quem não usa é de fora.
Esse vocabulário não foi acidente nem foi imposto de cima por um manual de marca. Ele nasceu da própria comunidade e foi adotado porque era divertido de usar. E é exatamente aí que mora o fosso. Linguajar próprio é a forma mais barata e mais forte de criar identidade de grupo, porque cada vez que alguém escreve "ooga booga" ele está, de graça, reforçando a marca e se identificando como membro. A própria piada vira distribuição.
O Discord seguiu a mesma lógica de origem orgânica. O que começou como um "fake chain discord" em abril de 2022 (uma brincadeira sobre uma blockchain que ainda nem existia) evoluiu pra virar o canal oficial da Berachain. A marca literalmente cresceu de dentro de uma piada que a comunidade levou a sério antes de a empresa existir. Isso é o oposto do playbook normal, onde a empresa cria o Discord e implora pra comunidade aparecer.
Fonte: DeSpread Research (a convergência de comunidade forte e experimentação)
Fase 3: a Proof of Liquidity como narrativa-produto
Em algum momento o fervor cultural precisava de uma tese técnica pra se pendurar. Veio a Proof of Liquidity (PoL). A confirmação oficial do projeto "bera chain" veio em março de 2022, quando o Dev Bear postou uma proposta no fórum de governança da OlympusDAO pedindo cerca de US$ 500 mil em OHM pra desenvolver a blockchain. A proposta passou com 78% de "sim". A comunidade não só queria os memes. Queria financiar a coisa.
A PoL é a sacada de marketing-por-mecanismo. A ideia: diferente do Proof of Stake tradicional (onde você trava token e ganha rendimento por ficar parado), a Berachain recompensaria quem fornece liquidez à rede. Em tese, alinhava o incentivo de segurança da rede com o incentivo de ter mercado líquido em cima dela. Era complexo o suficiente pra render threads infinitas explicando, defendendo e debatendo, e é justamente essa complexidade discutível que vira combustível de comunidade. Conceito que a galera precisa estudar pra entender vira conceito que a galera evangeliza pra parecer que entende.
Em cima da PoL veio o modelo tri-token, mais combustível de discussão ainda:
- BERA: o token de gás, pra pagar transações.
- BGT: o token de governança, ganho exclusivamente fornecendo liquidez, intransferível, que dá poder de voto e de delegação a validadores.
- HONEY: a stablecoin do ecossistema, atrelada ao dólar.
Fonte: Decrypt (o que é a Berachain e a Proof of Liquidity)
Fase 4: o testnet que virou ritual e o capital que validou o hype
Antes do mainnet, a Berachain transformou o testnet em evento. O testnet público "Artio" virou rito de passagem da comunidade: você ia lá, testava os produtos do ecossistema, ganhava status. O resultado em números foi absurdo pra uma rede que ainda nem tinha lançado: mais de 1,5 milhão de carteiras e mais de 7 milhões de transações. Em parceria com a plataforma Galxe, missões e credenciais transformaram o ato de testar numa caça ao tesouro com prova social embutida.
O capital validou o fervor. A Berachain levantou cerca de US$ 142 milhões no total, incluindo uma rodada de US$ 42 milhões liderada pela Polychain em 2023 e uma Série B de US$ 100 milhões em abril de 2024, co-liderada pela Brevan Howard Digital (braço cripto do hedge fund de US$ 34 bilhões) e pela Framework Ventures, a um valuation de US$ 1,5 bilhão. Comunidade de meme com cheque de fundo institucional sério. A piada do urso fumando bong tinha virado tese de investimento de Wall Street cripto.
Fonte: The Block (Berachain levanta US$ 100 mi em Série B)
Os números do lançamento (porque tese sem dado é achismo)
Em 6 de fevereiro de 2025, depois de quase quatro anos de comunidade, a Berachain finalmente lançou o mainnet. E o hype acumulado virou números de tirar o fôlego.
| O número | O que significa |
|---|---|
| ~US$ 3,3 bilhões na Boyco | O que usuários depositaram na plataforma de liquidez pré-lançamento "Boyco" antes do mainnet, colocando a Bera entre as maiores chains por TVL antes mesmo de existir. |
| ~79 milhões de BERA no airdrop | Cerca de 15,8% do supply, distribuído pra testers, holders de Bong Bear NFT, membros ativos da comunidade e participantes de promoções. |
| Mais de US$ 1,1 bilhão | O valor do airdrop no pico do dia do lançamento. O BERA chegou a tocar US$ 14,83, levando o market cap a passar de US$ 1 bilhão. |
| ~US$ 142 milhões levantados | O total de capital de risco, a um valuation de US$ 1,5 bi na última rodada. |
| 1,5 milhão de carteiras | O alcance do testnet Artio antes do lançamento. Fervor mensurável. |
Fonte: Decrypt (airdrop de US$ 1,1 bi no lançamento do mainnet) · The Block (mainnet da Berachain)
O furo: quando o fervor encontra o fundamento
Marketing honesto mostra o asterisco. E a Berachain tem o asterisco mais didático do ciclo recente, porque ele responde uma pergunta que o mercado evita: o que acontece quando você constrói hype demais e produto de menos?
A resposta veio rápido e cruel. Seis meses depois do lançamento, a narrativa mudou de "a chain comunitária mais quente do cripto" pra "a chain em modo de sobrevivência". Os números do colapso:
- Preço: o BERA caiu de um pico perto de US$ 14,83 pra a casa de US$ 0,70, uma queda de mais de dez vezes, na faixa de 90% a 97% desde o topo.
- TVL: despencou de um pico de US$ 3,3 bilhões em maio de 2025 pra menos de US$ 300 milhões no fim do ano, perda superior a 90%. Em alguns momentos a TVL chegou a tocar US$ 180 milhões.
- Time: vieram demissões em massa e saída de desenvolvedores-chave. A liquidez saiu, os builders saíram atrás.
Primeira camada: o hype precificou o futuro, não o presente. O BERA lançou avaliado como se a comunidade fervorosa já fosse receita. Não era. Comunidade que ama meme não é, automaticamente, comunidade que gera volume econômico sustentável. O preço de lançamento embutiu anos de expectativa, e quando o produto entregou o presente em vez do futuro prometido, a diferença virou queda.
Segunda camada: a liquidez era alugada, não leal. Boa parte dos bilhões da Boyco e da TVL inicial era capital mercenário atrás de emissão alta de token. Liquidez que vem por incentivo vai embora quando o incentivo cai. A Proof of Liquidity, que era a tese-produto, dependia de emissão generosa pra atrair liquidez. No dia em que a emissão precisou desacelerar pra não destruir o token, a liquidez que ela atraía simplesmente migrou pra próxima fazenda.
Terceira camada: a contradição entre a narrativa e a alocação. O projeto se vendeu como "retail-first", comunitário, do urso pro povo. Mas, quando o token lançou, a comunidade percebeu que alocações iniciais favoreciam fundos de VC, e veio a revolta. A própria fundação acabou admitindo que a estratégia "retail-first" falhou, e críticos passaram a chamar a Bera de projeto "VC-driven". É o mesmo veneno da contradição que afunda tantos cases: vender "comunidade no centro" e entregar "fundo no centro" queima exatamente a confiança que o community-first levou anos pra construir.
Fonte: KuCoin (BERA cai 10x, TVL despenca, êxodo de devs)
A lição que separa fervor de fundamento
Vale destrinchar o erro central, porque ele é o mais sedutor de cometer e o mais caro de pagar.
A Berachain acreditou (e fez o mercado acreditar) que fervor de comunidade era um fundamento. Não é. Fervor é um multiplicador. Ele amplifica o que existe. Se existe produto bom embaixo, o fervor turbina. Se não existe, o fervor só infla a expectativa, e expectativa inflada sem lastro não é vantagem, é dívida que vence no dia do lançamento.
A comunidade da Berachain era genuinamente espetacular. O linguajar, o testnet de 1,5 milhão de carteiras, os memes, o pertencimento, tudo era real e tudo era invejável. O erro não foi construir comunidade antes do produto. Construir comunidade cedo é, em geral, uma jogada brilhante. O erro foi deixar o produto chegar muito depois e muito atrás da expectativa que a comunidade tinha criado. Quando o hype corre na frente do fundamento por anos, o fundamento precisa, no dia do encontro, ser excepcional. O da Berachain foi complexo (o tri-token), dependente de emissão (a PoL) e contraditório com a própria narrativa (alocação pró-VC). Três pontos fracos justo no momento em que precisava ser forte.
E aqui está a nuance que a Kaleidos faz questão de marcar: isso não significa que community-first esteja errado. O Bitcoin construiu comunidade antes de ter qualquer utilidade óbvia. Significa que community-first é um adiantamento, não um presente. Você está pegando emprestada a paciência e a fé da comunidade contra a promessa de um produto futuro. E todo adiantamento tem juros. Os juros vencem quando o produto chega. Se ele chegar excepcional, a comunidade lucra junto e vira lenda. Se chegar mediano, a mesma comunidade que te amava vira a primeira a postar o gráfico de queda.
O que dá pra replicar (inclusive no Brasil)
Tirando o ruído, o case entrega lições que valem pra qualquer marca, com ou sem token.
- Linguajar próprio é o fosso de comunidade mais barato que existe. "Ooga booga", "bm", "henlo": cada termo é um teste de pertencimento que a comunidade aplica de graça e que faz a marca circular sem custo. No Brasil, marca que cria um vocabulário interno que o público adota (uma gíria, um apelido, um bordão) ganha distribuição orgânica que nenhum ad compra. Mas o vocabulário precisa nascer da comunidade, não ser imposto de cima. O "fake discord" virou oficial porque era genuíno.
- Mecanismo complexo é combustível de discussão, e isso é uma faca de dois gumes. A PoL e o tri-token deram à comunidade horas de conteúdo pra produzir, debater e evangelizar de graça. Mas complexidade é dívida: cada peça a mais é uma peça a mais pra explicar, pra confiar e pra quebrar. Use complexidade pra gerar conversa, mas só se o fundamento por baixo aguentar o peso dela.
- Construir comunidade antes do produto é adiantamento, não presente. Funciona, desde que você saiba que está pegando emprestada a fé do público contra a promessa de entregar. E que essa fé cobra juros no dia da entrega. Marca brasileira que cria expectativa enorme em pré-lançamento (lista de espera, hype de lançamento, "vem aí") precisa entregar à altura, ou o mesmo público engajado vira o primeiro a reclamar.
- A contradição entre narrativa e alocação mata. A Bera vendeu "retail-first" e entregou alocação pró-VC. No Brasil, onde marca fala tanto de "o cliente no centro", a lição é direta: o primeiro momento em que a prática contraria o discurso é o momento em que a confiança queima. Coerência entre o que você diz e o que você faz não é virtude, é sobrevivência de marca.
- Fervor não é retenção, e o gráfico não para no dia do lançamento. O dia do mainnet da Berachain foi uma vitória total. Seis meses depois, virou caso de estudo de colapso. Métrica de pico (carteiras, TVL inicial, valor do airdrop) é vaidade se não tem o que sustenta atrás dela. O que importa medir é o que sobra depois que o incentivo para.
O que a Kaleidos tira disso
- Comunidade primeiro é estratégia poderosa, desde que tratada como adiantamento. A Berachain construiu uma das comunidades mais fortes do cripto antes de ter produto, e isso foi genuinamente brilhante. A gente trabalha exatamente essa jogada nos projetos que toca, mas com a régua honesta na mesa: a fé que você pega emprestada cobra juros no dia da entrega, e a entrega tem que estar à altura da expectativa que o hype criou.
- Linguajar e cultura própria valem mais que verba de mídia. O vocabulário da Berachain ("ooga booga", "bm") distribuiu a marca de graça por anos. A gente desenha cultura de comunidade (vocabulário, pertencimento, ritual) como ativo de aquisição, não como enfeite. Mas só funciona quando nasce orgânico e a marca tem a humildade de adotar o que a comunidade criou, não impor o que o manual mandou.
- Coerência entre narrativa e prática é a linha que separa lenda de colapso. A Bera quebrou a confiança ao vender "retail-first" e entregar "VC-first". É o mesmo erro que a gente desenha pra evitar: no primeiro teste real, a prática tem que confirmar o discurso. No Brasil, onde o público já foi prometido e frustrado mil vezes, essa coerência é o ativo de marca mais frágil e mais valioso que existe.
Fontes
- OAK Research (apresentação completa da Berachain): https://oakresearch.io/en/reports/protocols/berachain-bera-complete-presentation-defi-oriented-blockchain
- Medium (A Berachain Journey: dos NFTs à Proof of Liquidity): https://medium.com/@JuliaOfoegbu/berachain-725007fe4b7f
- Decrypt (o que é a Berachain e a Proof of Liquidity): https://decrypt.co/resources/what-is-berachain-proof-of-liquidity-blockchain
- Decrypt (airdrop de US$ 1,1 bi no lançamento do mainnet): https://decrypt.co/304738/berachain-bera-airdrop-mainnet-launch
- The Block (Berachain levanta US$ 100 mi em Série B): https://www.theblock.co/post/288066/layer-1-blockchain-developer-berachain-raises-100-million-in-series-b-funding
- The Block (mainnet da Berachain): https://www.theblock.co/post/338765/berachain-mainnet
- DeSpread Research (comunidade forte e experimentação): https://research.despread.io/reports-berachain/
- OAK Research (o ódio se justifica? seis meses após o lançamento): https://oakresearch.io/en/reports/protocols/berachain-bera-is-the-hate-justified-update-six-months-after-launch
- BeInCrypto (US$ 1,2 bi em saídas e a "ghost chain"): https://beincrypto.com/berachain-outflows-turned-ghost-chain/
- KuCoin (BERA cai 10x, TVL despenca, êxodo de devs): https://www.kucoin.com/news/flash/berachain-s-bera-token-plummets-10x-tvl-drops-to-180m-amid-cuts-and-developer-exodus
Perguntas frequentes
Como a Berachain começou?
Em 2021, com uma coleção de 107 NFTs de ursos fumando bong (os Bong Bears), criada por membros da comunidade da OlympusDAO. A blockchain só apareceu como rumor em 2022 e como mainnet em 2025. A cultura veio primeiro, o produto veio anos depois.
O que é a Proof of Liquidity?
É a tese-produto da Berachain: diferente do Proof of Stake, onde você trava token e ganha por ficar parado, ela recompensa quem fornece liquidez à rede. Somada ao modelo tri-token (BERA, BGT, HONEY), deu à comunidade um conceito complexo pra debater e evangelizar por meses.
Por que a Berachain colapsou seis meses após o lançamento?
Por três camadas: o hype precificou o futuro e não o presente, a liquidez era alugada e migrou quando a emissão desacelerou, e a alocação favoreceu VCs contradizendo a narrativa retail-first. O BERA caiu até 97% e a TVL foi de US$ 3,3 bilhões pra menos de US$ 300 milhões.
Community-first é uma estratégia errada?
Não. Construir comunidade cedo é em geral brilhante. Mas é um adiantamento, não um presente: você pega emprestada a fé da comunidade contra a promessa de um produto futuro, e essa fé cobra juros no dia da entrega. Se o produto chega tarde e atrás da expectativa, a mesma comunidade que amava vira a primeira a postar o gráfico de queda.
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