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GTM de stablecoin nova: como competir num mercado onde dois nomes têm 88%

Poucos mercados em cripto parecem tão fechados quanto o de stablecoins. Dois nomes têm quase 90%, o efeito de rede é brutal (a stablecoin mais usada é a mais útil, o que a torna mais usada), e a confiança é o ativo mais difícil de construir

Resumo

USDT e USDC somam cerca de 88,6% de um mercado de stablecoins que passou de US$ 300 bilhões em 2025. Mesmo assim, entrantes cresceram: a USDe passou de US$ 14 bilhões e a PYUSD subiu 623%. A jogada não é atacar o líder de frente, é achar o eixo assimétrico onde a força dele não se aplica ou vira desvantagem.

Gabriel MadureiraGabriel Madureira

GTM de stablecoin nova: como competir num mercado onde dois nomes têm 88%

TL;DR: o mercado de stablecoins passou de mais de US$ 300 bilhões em 2025, e dois nomes concentram quase tudo: USDT e USDC juntos somam cerca de 88,6% do mercado, com o USDT em aproximadamente US$ 186,6 bilhões. Parece um mercado fechado. Mas os entrantes que cresceram (USDe da Ethena a mais de US$ 14 bilhões, PYUSD subindo 623% para US$ 3,6 bilhões) provam que existe espaço, desde que a jogada não seja atacar o líder no eixo dele. A Kaleidos usa esse mercado como aula de GTM assimétrico: você não compete com o USDT sendo um USDT melhor. Compete achando o eixo que o USDT não pode ou não quer ocupar.

Poucos mercados em cripto parecem tão fechados quanto o de stablecoins. Dois nomes têm quase 90%, o efeito de rede é brutal (a stablecoin mais usada é a mais útil, o que a torna mais usada), e a confiança é o ativo mais difícil de construir. Lançar uma stablecoin nova aqui parece suicídio de marketing.

E, no entanto, entrantes crescem. Este post é sobre como. Não a mecânica de emissão, mas a estratégia de GTM: onde um projeto novo pode ganhar terreno num mercado que os líderes já ocupam, e onde ele só vai queimar capital.

Por que atacar a dominância de frente não funciona

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O primeiro instinto errado é competir no eixo do líder: ser uma stablecoin mais "confiável" ou mais "líquida" que o USDT. Não funciona por dois motivos estruturais.

O primeiro é efeito de rede. Liquidez atrai liquidez. A stablecoin mais integrada em exchanges, pontes e protocolos é a mais conveniente, o que atrai mais integração. O USDT tem anos de vantagem composta nesse eixo, e um entrante não compra isso com campanha. A Kaleidos analisou como o Tether virou a marca mais lucrativa que quase não faz marketing justamente porque a rede faz o marketing por ele.

O segundo é confiança. Stablecoin é uma promessa de resgate, e a confiança nessa promessa se constrói com tempo e sobrevivência a crises, não com anúncio. Um entrante que diz "confie em mim mais que no líder" está pedindo o ativo mais difícil de transferir. A Kaleidos viu como a Circle transformou compliance em marca, mas isso levou anos e um posicionamento distinto, não um ataque frontal.

A conclusão: no eixo de liquidez e confiança genérica, o líder é imbatível por um projeto novo. Competir ali é gastar orçamento para ficar em terceiro num mercado onde o terceiro quase não existe.

Os eixos onde o entrante pode ganhar

Os entrantes que cresceram em 2025 não atacaram a dominância. Encontraram um eixo onde o líder não podia ou não queria jogar. Existem quatro.

  1. Rendimento nativo. A USDe da Ethena cresceu para mais de US$ 14 bilhões, quase 5% do mercado, oferecendo algo que USDT e USDC estruturalmente não oferecem ao holder: yield embutido. O líder capta o rendimento das reservas para si; o entrante repassa. Esse é um eixo onde a vantagem do incumbente vira desvantagem, porque mudar o modelo canibalizaria a receita dele.
  2. Distribuição embutida. A PYUSD do PayPal saltou 623% para US$ 3,6 bilhões não por ser tecnicamente superior, mas por nascer dentro de uma base de usuários gigantesca. Quando o entrante traz distribuição própria, ele não disputa o eixo do líder, ele muда o campo para onde já tem vantagem.
  3. Nicho geográfico ou regulatório. Stablecoin lastreada em moeda local, ou desenhada para um regime regulatório específico, ocupa um espaço que os líderes globais não priorizam. O efeito de rede do USDT é global, mas raso em mercados que ele não atende bem.
  4. Integração vertical num ecossistema. A USDS do Sky cresceu de US$ 1,27 bilhão para US$ 4,35 bilhões ancorada no próprio protocolo. Stablecoin que é a moeda nativa de um ecossistema com demanda própria não depende de vencer o USDT no mercado aberto.
O padrão é o mesmo dos quatro: o entrante achou um eixo onde a força do líder não se aplica ou vira fraqueza. Isso é GTM assimétrico, e é a única forma de crescer num mercado quase fechado.

O filtro antes de lançar

Antes de qualquer GTM de stablecoin nova, a Kaleidos roda três perguntas que decidem se o projeto tem chance ou está entrando para ser o terceiro de um mercado de dois.

  1. Qual é o eixo assimétrico? Rendimento, distribuição, nicho ou ecossistema. Se a resposta é "ser melhor que o USDT", não há eixo, e o lançamento vai competir onde não pode ganhar.
  2. A vantagem do líder vira desvantagem nesse eixo? O melhor eixo é aquele onde o incumbente não pode copiar sem se machucar. Yield é isso: o líder não repassa rendimento sem cortar a própria receita.
  3. De onde vem a liquidez inicial? Efeito de rede é o portão. Sem uma fonte própria de demanda (ecossistema, distribuição, incentivo sustentável), a stablecoin nova nasce ilíquida e a iliquidez a mantém ilíquida.

O teste de estresse: o eixo também tem risco

Honestidade acima de otimismo. Cada eixo assimétrico carrega um risco próprio, e o marketing não pode escondê-lo. Rendimento nativo depende de um mecanismo que precisa sobreviver a estresse de mercado, e a própria USDe enfrentou turbulência ligada a incidente de segurança no início de 2025. Distribuição embutida depende de a plataforma-mãe continuar priorizando o produto. Nicho regulatório depende de o regime não mudar.

A lição de marketing é que o eixo assimétrico é onde você ganha e também onde você é mais frágil. Comunicar a stablecoin nova exige assumir esse risco com transparência, não maquiá-lo, porque num mercado onde confiança é o ativo central, a primeira crise mal comunicada é a última.

O que a Kaleidos retém disso

Competir em stablecoin não é ser um líder melhor, é achar o eixo onde o líder não joga. Três lições fecham o caso:

  1. Não ataque a dominância de frente. Liquidez e confiança genérica são o eixo do incumbente. Ali o entrante perde por estrutura.
  2. Ache o eixo assimétrico. Rendimento, distribuição, nicho ou ecossistema. O melhor é aquele onde a força do líder vira desvantagem.
  3. Assuma o risco do eixo com transparência. O eixo que te faz crescer é o que te expõe. Num mercado de confiança, maquiar risco é o fim.
A Kaleidos entra na decisão de GTM: qual eixo assimétrico o projeto tem, como posicioná-lo contra líderes que parecem imbatíveis e como comunicar o risco sem perder a confiança. Se o seu projeto lança uma stablecoin, veja os pacotes da Kaleidos antes de tentar ser um USDT melhor.

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Este conteúdo é educativo e não constitui recomendação de investimento. Dados de mercado de stablecoins: Arkham Research, Crystal Intelligence e DefiLlama.

Perguntas frequentes

Vale a pena lançar uma stablecoin nova com USDT e USDC dominando o mercado?

Vale, desde que a estratégia não seja atacar o líder no eixo dele. No eixo de liquidez e confiança genérica, o incumbente é imbatível: efeito de rede composto por anos e confiança construída com sobrevivência a crises não se compram com campanha. Mas os números de 2025 mostram espaço: a USDe da Ethena cresceu para mais de US$ 14 bilhões, a PYUSD do PayPal saltou 623% para US$ 3,6 bilhões e a USDS do Sky foi de US$ 1,27 bilhão para US$ 4,35 bilhões.

Quais eixos uma stablecoin nova pode explorar para competir?

Quatro eixos assimétricos: rendimento nativo (a USDe repassa yield ao holder, algo que USDT e USDC não fazem porque canibalizaria a receita das reservas), distribuição embutida (a PYUSD nasceu dentro da base de usuários do PayPal), nicho geográfico ou regulatório (moeda local ou regime específico que os líderes globais não priorizam) e integração vertical num ecossistema (a USDS ancorada no protocolo Sky, com demanda própria). O melhor eixo é aquele em que o líder não pode copiar sem se machucar.

Qual o risco de competir por um eixo assimétrico em stablecoins?

O eixo que faz crescer é também onde o projeto é mais frágil. Rendimento nativo depende de um mecanismo que precisa sobreviver a estresse de mercado, e a própria USDe enfrentou turbulência ligada a incidente de segurança no início de 2025. Distribuição embutida depende de a plataforma-mãe seguir priorizando o produto, e nicho regulatório depende de o regime não mudar. Num mercado onde confiança é o ativo central, o marketing precisa assumir esse risco com transparência: a primeira crise mal comunicada é a última.

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