- Nenhuma ferramenta cobre tudo. Um stack completo tem 4 camadas: on-chain, social, atribuição e mercado.
- Dune é a mais flexível (SQL livre), Nansen a mais rápida (labels prontos), Arkham a melhor em identidade.
- DefiLlama e CoinGecko continuam sendo as melhores opções gratuitas para dados de protocolo e mercado.
- Kaito transformou mindshare em métrica padrão de marketing web3, dando origem à tese de InfoFi.
- Atribuição on-chain (Cookie3, Addressable) fecha o buraco entre clique no anúncio e transação na carteira.
- Comece pelo stack gratuito. Pague apenas quando tiver perguntas recorrentes que ele não responde.
Camada 1: analytics on-chain
A blockchain é um banco de dados público. Essas ferramentas transformam esse banco em resposta.
1. Dune
Pra que serve: dashboards customizados sobre qualquer dado on-chain, via SQL.
A Dune indexa dados de dezenas de blockchains (Ethereum, Solana, Base, Arbitrum e muitas outras, segundo a documentação oficial da Dune em 2025) e deixa qualquer pessoa escrever queries SQL sobre eles. O resultado vira gráfico, o gráfico vira dashboard, o dashboard vira link público.
Na prática, é a ferramenta que responde perguntas específicas do SEU protocolo: quantas carteiras novas interagiram com o contrato essa semana, qual a retenção de quem fez mint, de onde veio o volume. Se a pergunta é única do seu produto, a resposta quase sempre é um dashboard na Dune.
Ponto forte: flexibilidade total e comunidade gigante de dashboards públicos para copiar e adaptar.
Ponto fraco: exige SQL. Sem alguém técnico no time, a curva de aprendizado pesa.
Preço: plano gratuito robusto; planos pagos adicionam queries privadas, API e mais créditos de execução (Dune, 2026).
2. Nansen
Pra que serve: seguir o dinheiro inteligente sem escrever uma linha de código.
O diferencial da Nansen sempre foi o mesmo: labels. A plataforma rotula centenas de milhões de endereços (número divulgado pela própria Nansen, 2025), identificando fundos, exchanges, market makers e as carteiras que ela chama de Smart Money. Em vez de olhar transações anônimas, você vê "fundo X acumulou o token Y".
Para marketing, o uso mais valioso é entender QUEM está comprando ou usando o protocolo do cliente. Composição de holders, entrada e saída de baleias, fluxo entre exchanges. Tudo pronto, em dashboard, sem SQL.
Ponto forte: velocidade. A resposta que levaria horas na Dune está pronta em dois cliques.
Ponto fraco: é ferramenta paga e as perguntas possíveis são as que a Nansen decidiu responder.
Preço: tem tier de entrada gratuito limitado; planos pagos por assinatura (Nansen, 2026).
3. Arkham
Pra que serve: descobrir quem está por trás de um endereço.
A Arkham atacou o problema de identidade. A plataforma agrega atribuição de entidades (governos, fundos, exchanges, indivíduos) e mostra portfólio, histórico e conexões de cada uma. Em 2023 lançou o Intel Exchange, um marketplace onde usuários compram e vendem informação de atribuição de endereços (Arkham, 2023).
Para agências e projetos, é a ferramenta de investigação: rastrear para onde foi o token do tesouro, verificar se aquela carteira grande que apareceu no cap table é um fundo conhecido, mapear quem despejou depois do listing.
Ponto forte: a camada de identidade é gratuita e surpreendentemente profunda.
Ponto fraco: menos útil para métricas agregadas de produto; o foco é entidade, não funil.
Preço: núcleo gratuito (Arkham, 2026).
4. DefiLlama
Pra que serve: TVL, comparação de protocolos e dados DeFi sem custo.
O DefiLlama é o agregador de referência de TVL (valor total bloqueado) do setor. Cobre milhares de protocolos em centenas de blockchains, é open source, gratuito e sem anúncios, mantido com a filosofia declarada de dados abertos (DefiLlama, 2025). Além de TVL, traz fees, receita, volumes de DEX, stablecoins, yields e unlocks de tokens.
Para benchmark competitivo é imbatível: em um minuto você compara o crescimento do seu cliente com todos os concorrentes da categoria, na mesma metodologia.
Ponto forte: gratuito, confiável, padrão de mercado para TVL.
Ponto fraco: dados agregados por protocolo; não serve para analisar carteiras individuais.
Preço: gratuito; a API Pro é paga (DefiLlama, 2026).
Camada 2: social e mindshare
On-chain mostra o que as carteiras fazem. Essa camada mostra o que o mercado fala.
5. Kaito
Pra que serve: medir a fatia de atenção (mindshare) do projeto na conversa cripto.
A Kaito usa IA para indexar a conversa do setor, principalmente no X, e calcular quanto de atenção cada projeto e narrativa captura. A métrica de mindshare virou padrão em relatórios de marketing web3. O sistema Yaps, que recompensa criadores por conteúdo relevante, e o token KAITO, lançado em fevereiro de 2025 na Base (Kaito, 2025), consolidaram a tese que o mercado chama de InfoFi: atenção como ativo mensurável.
Para agências, a Kaito responde a pergunta que todo cliente faz depois de uma campanha: "a gente está sendo mais falado do que antes? E mais do que o concorrente?".
Ponto forte: transformou percepção de marca, antes subjetiva, em número comparável.
Ponto fraco: cobre principalmente o X; a conversa em Telegram, Discord e YouTube fica de fora.
Preço: feed e rankings públicos gratuitos; Kaito Pro é assinatura paga voltada a times e investidores (Kaito, 2026).
6. Santiment
Pra que serve: cruzar sentimento social com comportamento on-chain.
O Santiment combina volume social, sentimento e métricas on-chain (endereços ativos, idade média das moedas movimentadas) em uma plataforma só. É útil para identificar divergências: preço subindo com sentimento eufórico e atividade on-chain caindo costuma ser sinal de topo local, padrão documentado nos próprios estudos da plataforma (Santiment, 2025).
Ponto forte: o cruzamento social + on-chain em uma interface única.
Ponto fraco: profundidade menor que ferramentas dedicadas em cada camada isolada.
Preço: versão gratuita limitada; Sanbase Pro por assinatura (Santiment, 2026).
Camada 3: atribuição de campanhas
O buraco clássico do marketing web3: o anúncio roda off-chain, a conversão acontece on-chain. Essas ferramentas costuram os dois lados.
7. Cookie3
Pra que serve: atribuir carteiras convertidas a campanhas e canais.
A Cookie3 conecta a jornada off-chain (clique, visita, origem de tráfego) à carteira que depois assina a transação. Com isso, o relatório de campanha deixa de terminar em "custo por clique" e passa a mostrar custo por carteira convertida e valor on-chain gerado por canal. A empresa também expandiu para análise de audiência e detecção de bots em campanhas (Cookie3, 2025).
Ponto forte: fecha o funil completo, do anúncio à transação.
Ponto fraco: exige instalação de SDK/pixel e integração com o produto; não é plug and play.
8. Addressable
Pra que serve: mídia paga segmentada por comportamento de carteira.
A Addressable liga identidades sociais a carteiras e permite criar audiências para anúncios (por exemplo, no X) com base em comportamento on-chain: holders de um token, usuários de um protocolo concorrente, participantes de um airdrop. Depois mede a conversão dessas audiências em transação (Addressable, 2025).
Ponto forte: segmentação que nenhuma plataforma de ads tradicional oferece.
Ponto fraco: dependente das políticas de anúncio das plataformas, que em cripto mudam com frequência.
Vale o registro de contexto: a atribuição web3 virou peça estratégica de verdade quando a Coinbase comprou a Spindl, startup de atribuição on-chain fundada por um ex-Facebook, em janeiro de 2025 (Coinbase, 2025). O mercado entendeu o recado: quem controla a medição controla o orçamento.
Camada 4: dados de mercado e fundamentos
9. CoinGecko
Pra que serve: preço, volume, market cap e metadados de milhares de ativos.
O CoinGecko é o agregador de dados de mercado mais usado por times de conteúdo e pesquisa. Cobre milhares de criptomoedas e centenas de exchanges, com API pública que alimenta boa parte dos sites e bots do setor (CoinGecko, 2026). Para marketing, é a fonte padrão de dados de preço citáveis em conteúdo, além de rankings de categoria úteis para pauta.
Ponto forte: abrangência e API acessível, com tier gratuito.
Ponto fraco: é dado de mercado, não de comportamento; diz o preço, não o porquê.
10. Token Terminal
Pra que serve: tratar protocolos como empresas, com métricas financeiras.
O Token Terminal padroniza métricas de negócio para protocolos: receita, fees, despesas com incentivos, usuários ativos e múltiplos como preço sobre fees. É a ponte entre o vocabulário cripto e o vocabulário de finanças tradicionais, usado por fundos e times institucionais (Token Terminal, 2025).
Para posicionamento, é ouro: sustentar a narrativa "protocolo X gera receita real" com dado padronizado e comparável muda a qualidade do argumento.
Ponto forte: metodologia financeira consistente entre protocolos.
Ponto fraco: cobre principalmente protocolos maiores e com modelo de receita claro.
Menção honrosa: Glassnode, referência em inteligência on-chain para Bitcoin e Ethereum, com métricas macro (holders de longo prazo, lucro/prejuízo realizado) amplamente citadas em research institucional (Glassnode, 2025). Se o seu conteúdo fala de ciclo de mercado, é fonte obrigatória.
Como montar o stack certo (sem pagar por tudo)
O erro comum é assinar cinco ferramentas e usar dez por cento de cada. O caminho que a Kaleidos recomenda:
- Comece pelo gratuito. DefiLlama + CoinGecko + Dune (free) + Arkham cobrem mercado, protocolo, dashboards e identidade sem custo.
- Defina as 3 perguntas recorrentes do time. Exemplo: "quantas carteiras novas por semana?", "quem são os maiores holders?", "nosso mindshare subiu depois da campanha?".
- Pague só pela pergunta sem resposta. Se a pergunta é sobre smart money, Nansen. Se é sobre atenção, Kaito Pro. Se é sobre ROI de mídia, Cookie3 ou Addressable.
- Não esqueça o off-chain. Analytics de site e funil (PostHog, GA4) continua sendo a primeira metade da jornada. A carteira só aparece no final dela.
- Padronize o relatório. Uma métrica de cada camada, todo mês, no mesmo formato. Consistência vale mais que volume de dado.
O dado é commodity. A leitura, não.
Em 2026, qualquer projeto tem acesso ao mesmo arsenal: Dune, Nansen, Arkham, DefiLlama, Kaito, CoinGecko. O diferencial deixou de ser ter o dado. Passou a ser saber qual pergunta fazer e transformar a resposta em decisão de marketing.
É exatamente isso que a Kaleidos faz para projetos de cripto, web3 e fintech: montar o stack de analytics certo para cada estágio, conectar dado on-chain a estratégia de conteúdo e crescimento, e reportar o que importa sem enrolação.
Se o seu projeto tem dado sobrando e resposta faltando, fale com a Kaleidos. A primeira conversa é diagnóstico, não pitch.