Solana: a ressurreição (como uma chain dada como morta voltou pela comunidade)
Em novembro de 2022, ninguém dava nada pela Solana. A FTX tinha acabado de implodir, e a Solana era vista como a chain do Sam Bankman-Fried. A FTX e a Alameda Research tinham posição pesada em SOL. Quando a casa caiu, o SOL caiu junto: de a
Resumo
Em novembro de 2022, o colapso da FTX arrastou a Solana junto. O SOL perdeu cerca de 97% do valor, de algo perto de US$ 260 pra menos de US$ 9. A FTX e a Alameda eram associadas à chain, e o mercado decretou: a Solana é a "chain do SBF", está morta. Não estava. A volta não veio de campanha nem de fundo de marketing. Ve
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- Em novembro de 2022, o colapso da FTX arrastou a Solana junto. O SOL perdeu cerca de 97% do valor, de algo perto de US$ 260 pra menos de US$ 9. A FTX e a Alameda eram associadas à chain, e o mercado decretou: a Solana é a "chain do SBF", está morta. Não estava.
- A volta não veio de campanha nem de fundo de marketing. Veio da comunidade que recusou sair. Enquanto o preço estava no chão, os builders ficaram, os eventos continuaram e a narrativa "we're so back" virou identidade coletiva. O SOL voltou de menos de US$ 9 pra um topo histórico perto de US$ 295 em janeiro de 2025.
- A prova de que a comunidade não fugiu está num número: em 2024 a Solana ultrapassou o Ethereum como a rede que mais atraiu novos desenvolvedores, com 7.625 novos devs, alta de 83% no ano (Electric Capital). Builder não migra de chain morta.
- O combustível da volta foi memecoin. A Pump.fun e o superciclo de memecoin reacenderam a atividade, a receita e a atenção. O fundador Anatoly Yakovenko chegou a dizer que memecoin estressou a rede e a deixou mais robusta. Marketing de comunidade movido a especulação cultural.
- O asterisco honesto: o mesmo combustível que ressuscitou a chain a machucou. O TRUMP e o LIBRA terminaram em US$ 3,94 bilhões de prejuízo pra quem comprou, com 86% dos traders do LIBRA perdendo dinheiro. Some o histórico de outages e a percepção pós-FTX, e você tem uma ressurreição real apoiada num motor instável.
O case que prova que comunidade é o ativo mais difícil de matar
Em novembro de 2022, ninguém dava nada pela Solana. A FTX tinha acabado de implodir, e a Solana era vista como a chain do Sam Bankman-Fried. A FTX e a Alameda Research tinham posição pesada em SOL. Quando a casa caiu, o SOL caiu junto: de algo perto de US$ 260 pra menos de US$ 9, uma perda na casa de 97%. O veredito do mercado foi rápido e cruel. Solana morreu com a FTX.
Dois anos depois, o SOL bateu um topo histórico perto de US$ 295. A chain que era pra ter desaparecido virou a rede que mais atraiu desenvolvedor novo no mundo, a casa do superciclo de memecoin, e uma das comunidades mais barulhentas e leais do cripto.

Pra quem faz marketing, esse é o case mais importante sobre uma coisa que não aparece em planilha: comunidade. Porque a Solana não voltou por causa de uma campanha. Voltou porque um grupo de pessoas recusou aceitar o atestado de óbito e transformou a recusa em movimento. E o case mostra os dois lados disso, o que a comunidade construiu e o preço que ela pagou.
Os números que contam a redenção
Antes da história, a foto. Seis números que marcam o arco de queda e volta.
| O número | O que significa |
|---|---|
| -97% no preço (2022) | O SOL caiu de ~US$ 260 pra menos de US$ 9 depois da FTX. O mercado decretou a morte da chain. |
| ~US$ 295 de topo (jan/2025) | O topo histórico do SOL, uma valorização na casa de milhares de por cento a partir do fundo. A redenção em número. |
| 7.625 novos devs (2024) | A Solana superou o Ethereum em novos desenvolvedores pela 1ª vez desde 2016, alta de 83% no ano. Builder não fica em chain morta. |
| US$ 12 bi de TVL (pico) | A TVL cruzou US$ 10 bi em jan/2025 pela 1ª vez desde a FTX, batendo na casa de US$ 12 bi no pico de 2025. |
| ~3,8 mi de endereços ativos/dia | Em 2026, a Solana lidera em endereços ativos diários, na casa de 3,8 mi, e domina volume de DEX entre as chains. |
| US$ 3,94 bi de prejuízo (TRUMP+LIBRA) | O outro lado da moeda: o combustível memecoin queimou US$ 3,94 bi de quem comprou os tokens. A volta teve vítimas. |
A jogada em fases
Fase 1: o atestado de óbito (nov/2022)
A FTX colapsou em novembro de 2022 e levou a Solana pro fundo do poço. O dano não foi só de preço. Foi de reputação. A narrativa colou: Solana = chain do SBF = projeto manchado. Liquidez fugiu, manchete de "VC chain morta" virou consenso, e o SOL operou abaixo de US$ 10 por meses.
Esse é o ponto de partida que torna o resto impressionante. Não foi uma chain pequena que cresceu do zero. Foi uma chain grande que foi dada como morta e teve que ressuscitar carregando um estigma. Recuperação a partir de reputação destruída é mais difícil que crescimento a partir do zero, porque você não está preenchendo um vazio, está combatendo uma crença já formada.
Fase 2: a comunidade que recusou sair (2023)
Aqui mora o coração do case. No fundo do poço, a maioria dos projetos teria debandado. Os builders da Solana, em peso, ficaram. Como a CoinDesk registrou no fim de 2023, só um punhado de times migrou pra outras redes naquele ano. O ecossistema não se dispersou.
E foi nesse vale que nasceu a cultura. A primeira dog coin da Solana surgiu no fim de 2022 justamente como forma de recompensar e reacender a comunidade depois do trauma. A energia de "estamos juntos no fundo, vamos construir mesmo assim" virou identidade. Não foi marketing planejado por agência. Foi um povo se segurando junto no pior momento e transformando a sobrevivência em pertencimento.
O fundador, Anatoly Yakovenko, virou parte disso de um jeito que CMO nenhum scripta. Acessível, postando, presente, falando de memes e de robustez de rede na mesma frase. Founder-led no sentido mais cru: o líder dentro da comunidade, não acima dela.
Fase 3: o motor memecoin (2024)
Em 2024, a atividade explodiu. O combustível tinha nome: memecoin. A Pump.fun, lançada no começo de 2024, virou um dos apps mais usados de qualquer blockchain, permitindo que qualquer um lançasse um token em segundos. A Solana virou o playground da especulação cultural, e a especulação trouxe de volta o que tinha sumido: volume, taxa, atenção.
Yakovenko não fugiu do assunto, abraçou. Ele disse que os memecoins estressaram a rede e a forçaram a ficar mais robusta, transformando os antigos outages em oportunidade de fortalecer a infraestrutura.

E os builders não pararam de chegar. O dado que fecha a fase é definitivo: em 2024, a Solana ultrapassou o Ethereum como a rede que mais atraiu novos desenvolvedores, com 7.625 novos devs e alta de 83%, segundo o relatório da Electric Capital. Memecoin trazia o varejo, builder trazia o futuro. Os dois motores rodando juntos.

Fase 4: a coroação e o estouro (jan/2025)
Em janeiro de 2025, a redenção virou manchete global. O TRUMP, memecoin oficial lançado na Solana, explodiu pra um market cap recorde na casa de US$ 8,7 bilhões. A TVL da Solana cruzou US$ 10 bi pela primeira vez desde a FTX. O SOL bateu o topo histórico perto de US$ 295. A chain que era pra estar morta estava no centro do palco do cripto mundial.
Esse foi o ápice do "we're so back". A comunidade que segurou a barra no fundo viu o gráfico provar que estava certa. E aí, no exato ponto mais alto, começou a parte que o marketing honesto não pode esconder. Conta na próxima seção.
A mecânica: por que funcionou de verdade
Aqui é onde mora a lição pra quem faz marketing. A Solana não voltou por engenharia de campanha. Voltou por engenharia de comunidade. Vou nomear as quatro jogadas que carregam o case.
Jogada 1: a narrativa de redenção é a história mais vendável que existe
"De ressurreição" é o arco narrativo mais poderoso da cultura, do cinema à religião. A Solana viveu o arco completo: ascensão, queda quase fatal, fundo do poço, volta triunfal. E a comunidade soube nomear o arco. "We're so back" não é slogan de marca, é grito coletivo de quem apostou no fundo e foi recompensado.
A lição transfere: a sua marca tem uma história de superação que você não está contando? Queda e volta engaja muito mais do que sucesso linear. Vulnerabilidade assumida ("a gente quase quebrou e voltou") cria laço que o discurso de perfeição nunca cria. A Solana não escondeu que esteve morta. Fez da morte e da volta a identidade inteira.
Jogada 2: comunidade não é métrica de vaidade, é o ativo mais resiliente
O número que prova a tese é o de desenvolvedores. Preço pode ser manipulado, hype pode ser comprado, mas builder ficar numa chain dada como morta é prova de convicção que não se fabrica. Os 7.625 novos devs de 2024 são a métrica de valor por trás da métrica de vaidade do preço.
A lição vale fora do cripto. Comunidade real, gente que fica no momento ruim, é o ativo mais difícil de construir e o mais difícil de matar. Marca que tem comunidade sobrevive a crise. Marca que só tem audiência paga some no dia que o orçamento acaba. A pergunta de marketing certa não é "quantos seguidores eu tenho", é "quantos ficariam se eu parasse de pagar pela atenção amanhã?".
Jogada 3: os eventos como cola física da comunidade
A comunidade não se manteve só online. A Solana investiu pesado em encontro físico. As Hacker Houses levaram builders pra cidades do mundo todo, a comunidade hospedou mais de 100 hacker houses e moveu 400+ desenvolvedores entre países, e o Breakpoint virou a conferência-âncora anual do ecossistema. Eventos como mtnDAO, IslandDAO e Solana After Breakpoint viraram cultura própria.
A lição é subestimada na era do digital: encontro físico cria laço que o feed não cria. Quem se viu pessoalmente, construiu junto numa hacker house, foi a um evento, vira defensor de outro nível. Pra marca, isso significa que comunidade de verdade quase sempre precisa de um momento offline. O online escala, o offline aprofunda. A Solana usou os dois.
Jogada 4: abraçar o caos cultural em vez de fugir dele
A jogada mais corajosa foi de posicionamento. A Solana podia ter rejeitado a memecoin pra "preservar a seriedade". Em vez disso, abraçou. Tratou o cassino cultural como caso de uso legítimo, como teste de estresse, como motor de atenção. Yakovenko falando de memecoin com naturalidade, em vez de fingir que não existe, deu permissão pra chain ser o que ela de fato virou: o lugar onde a cultura da internet acontece on-chain.
A lição é delicada e tem reverso (que vem agora). Mas o princípio é real: às vezes a sua marca não controla a narrativa que pega, ela só escolhe se vai abraçar ou negar. Negar o que o público faz com você raramente funciona. A Solana escolheu abraçar e capturou a energia. (E pagou o preço, como toda escolha de abraçar o caos.)
O furo: onde a tese fica frágil
Marketing honesto mostra o asterisco. E a Solana tem vários, todos ligados ao mesmo motor que a ressuscitou.
O combustível que salvou também queimou. O memecoin trouxe a Solana de volta e fez vítimas em massa. O TRUMP disparou pra US$ 8,7 bi e despencou mais de 90%. O LIBRA, promovido pelo presidente argentino Javier Milei, subiu pra US$ 4,5 bi de market cap e caiu mais de 80% em horas enquanto insiders sacavam.

A dependência de especulação é um motor pró-cíclico. A atividade da Solana é fortemente atrelada ao apetite por memecoin. Quando o ciclo vira, a atividade desaba junto. Em 2026, com a fadiga do varejo, o volume de DEX da Solana despencou na casa de 60% e a TVL recuou bastante a partir do pico. Marketing apoiado em especulação cultural funciona enquanto a especulação está quente. Some justo quando você mais precisa de base sólida.
O histórico de outages ainda assombra. A Solana ficou famosa por cair. Em 2022, os apagões eram quase mensais: em janeiro, bots derrubaram a taxa de sucesso de transação em 70%; em abril, a rede parou consenso e levou mais de uma hora pra reiniciar; em 2023, um validador defeituoso causou horas de degradação. A confiabilidade melhorou muito a partir de 2023, mas a reputação de "chain que cai" leva anos pra apagar. Pra uma rede que se vende como infraestrutura, cada queda é um saque na credibilidade.
A percepção pós-FTX não some por completo. Mesmo com a redenção, parte do mercado ainda enxerga a Solana pela lente do estigma original e da pressão de venda do espólio da FTX, que liquidou SOL travado pra pagar credores. Narrativa de origem manchada deixa cicatriz. A ressurreição apaga a manchete, não apaga a memória.
Os exploits de DeFi voltaram a ferir. Em 2026, episódios como um exploit de protocolo que drenou mais de US$ 200 milhões abalaram a confiança no DeFi da Solana e contribuíram pra correção. A volta foi real. A maturidade da infraestrutura ainda é um trabalho em andamento, e cada incidente reabre a ferida da percepção.

O que dá pra replicar (inclusive no Brasil)
Tirando o ruído, o case ensina três coisas que valem fora do cripto.
- Comunidade real é a única vantagem que sobrevive à crise. A Solana voltou porque um grupo recusou sair no fundo. Construa relacionamento com quem fica no momento ruim, não só com quem aplaude no momento bom. A pergunta-chave: quantos ficariam se você parasse de pagar pela atenção amanhã?
- A história de queda e volta é a mais vendável que existe. Se a sua marca tem uma superação real, conte. Vulnerabilidade assumida cria laço que o discurso de perfeição nunca cria. A Solana fez da própria quase-morte a identidade.
- Encontro físico aprofunda o que o digital só escala. Hacker house, evento, conferência. Comunidade de verdade quase sempre precisa de um momento offline. No Brasil, onde o relacionamento próximo pesa muito, isso vale ainda mais.
O que a Kaleidos tira disso
- Comunidade é estratégia, não fofura. Antes de discutir alcance pago, a gente discute como construir o núcleo de gente que fica. A Solana provou que comunidade real é o ativo mais difícil de matar. No Brasil, onde a confiança é escassa e cara, esse núcleo vale mais que qualquer pico de alcance comprado.
- A história de superação é o melhor ativo de marca que o cliente já tem e não usa. Quase todo projeto tem uma quase-morte, um pivô, uma virada. A gente caça essa história porque queda e volta engaja mais que sucesso linear. A Solana é o lembrete de que vulnerabilidade bem contada vira pertencimento.
- Crescer com honestidade sobre o motor. A Solana mostra os dois lados: comunidade ressuscitou, memecoin queimou bilhões. A gente desenha crescimento que separa o que é saudável de replicar do que é dano a pessoas reais. É essa diferença que define se a Kaleidos faz autoridade de verdade ou só pega carona em hype.
Fontes
- CoinDesk (Anatoly Yakovenko e a recuperação da Solana, builders ficaram em 2023): https://www.coindesk.com/consensus-magazine/2023/12/04/solana-sol-anatoly-yakovenko
- CoinDesk (Solana supera Ethereum em novos devs, Electric Capital 2024): https://www.coindesk.com/tech/2024/12/12/solana-was-the-biggest-draw-for-new-crypto-developers-in-2024-electric-capital
- Coinspeaker (7.625 novos devs, alta de 83%): https://www.coinspeaker.com/solana-developer-growth-surges-83-outpaces-ethereum-with-7625-new-talents-in-2024/
- CoinDesk (TVL cruza US$ 10 bi pós-FTX após TRUMP, topo perto de US$ 295): https://www.coindesk.com/markets/2025/01/19/solana-s-tvl-crosses-10-b-for-first-time-since-ftx-collapse-after-trump-memecoin-launch
- The Block (Yakovenko: memecoins deixam a rede mais robusta): https://www.theblock.co/post/329669/solanas-founder-on-how-memecoins-help-make-the-network-more-robust
- Helius (história completa dos outages da Solana): https://www.helius.dev/blog/solana-outages-complete-history
- Fortune (Solana cai com escândalo LIBRA, market cap US$ 4,5 bi e -80%): https://fortune.com/crypto/2025/02/26/solana-dips-memecoin-trading-cools-libra/
- Invezz (86% dos traders de LIBRA perderam, US$ 251 mi em perdas): https://invezz.com/news/2025/02/20/libra-crypto-scandal-86-of-traders-lost-money-on-javier-milei-endorsed-memecoin/
- FXStreet (TRUMP+LIBRA queimaram US$ 3,94 bi): https://www.fxstreet.com/cryptocurrencies/news/crypto-memecoin-traders-lose-394-billion-on-trump-and-libra-tokens-202502191931
- DL News (TRUMP US$ 8,7 bi e -90%, escândalos memecoin 2025): https://www.dlnews.com/articles/defi/how-scandals-and-lawsuits-shaped-memecoins-in-2025/
- DefiLlama (Solana TVL/Fees/Revenue, exploit DeFi 2026): https://defillama.com/chain/solana
- Solana Media (Hacker Houses 2024, 100+ hacker houses, 400+ devs): https://solana.com/news/2024-solana-hacker-houses-schedule
- Solana Media (State of Solana, endereços ativos 2026): https://solana.com/news/state-of-solana-february-2026
- Crypto Times (FTX fallout, -97%, Solana turns six): https://www.cryptotimes.io/insights/from-ftx-fallout-to-wall-street-love-solana-turns-six/
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