Pular para o conteúdo principal
Cripto/
/
10 min
/Atualizado em

Web3 marketing é uma arte perdida: onde os projetos erram

A maioria dos projetos web3 ainda roda o playbook de 2021: hype, airdrop farm e KOL pago genérico. O resultado é comunidade mercenária e token que ninguém defende. A tese da Kaleidos sobre o que voltou a importar e qual é o caminho certo.

Resumo

Web3 marketing virou uma arte perdida porque a maioria dos projetos copia o playbook de 2021: hype fabricado, airdrops que atraem mercenários e KOLs pagos genéricos. O que voltou a decidir o jogo são os fundamentos: posicionamento claro, utilidade real, comunidade de verdade e narrativa que sobrevive ao ciclo. Marketing como fundamento, não como campanha, constrói projetos que duram.

Gabriel MadureiraGabriel Madureira

Web3 marketing é uma arte perdida: onde os projetos erram

Existe um paradoxo incômodo no mercado cripto: a indústria que mais fala sobre inovação é a que menos inova em marketing. Abra o pitch de dez projetos web3 lançados este ano e você vai encontrar o mesmo roteiro: teaser misterioso no X, programa de pontos, campanha de airdrop, meia dúzia de KOLs pagos postando o mesmo texto e um Discord inflado de gente esperando o snapshot. É o playbook de 2021 rodando em loop, cinco anos depois, num mercado que já provou várias vezes que ele não funciona mais.

A tese da Kaleidos é direta: web3 marketing virou uma arte perdida. Não porque falte dinheiro, talento ou canal. Mas porque a maioria dos projetos confundiu tática de bull market com estratégia de marketing, e nunca aprendeu (ou desaprendeu) os fundamentos que fazem qualquer produto ser adotado: posicionamento, utilidade, comunidade real e narrativa. Quem recuperar essa arte primeiro vai construir os projetos que sobrevivem ao próximo ciclo. Quem continuar copiando 2021 vai continuar financiando liquidez de saída para farmers profissionais.

Principais takeaways

Continue por dentro

Um estudo denso por quinzena, direto no seu email.

Os bastidores de por que tokens e projetos crescem. Sem ruído, sem spam.

  • O playbook de 2021 (hype, airdrop farm, KOL genérico) parou de funcionar, mas continua sendo o padrão do mercado por inércia e pressão de curto prazo.
  • Airdrop como aquisição atrai mercenários; airdrop como recompensa por uso real constrói base. A diferença entre os dois é desenho de incentivo, não orçamento.
  • KOL pago sem afinidade com o produto gera alcance vazio. Distribuição de verdade vem de narrativa forte que as pessoas certas querem repetir.
  • Métricas de vaidade (seguidores, membros, TVL inflado por incentivo) escondem a única pergunta que importa: quantas pessoas usariam o produto sem recompensa?
  • Os fundamentos voltaram a decidir o jogo: posicionamento claro, utilidade que se sustenta sozinha, comunidade tratada como produto e educação de mercado consistente.

O playbook de 2021 e por que ele virou zumbi

Em 2021, quase tudo funcionava. Liquidez abundante, varejo entrando em massa, apetite por risco no topo histórico. Nesse ambiente, o marketing podia ser preguiçoso: bastava anunciar um token, prometer "utilidade em breve", pagar influenciadores e deixar o mercado fazer o resto. O hype era o produto.

O problema é que o mercado mudou e o playbook não. Os ciclos seguintes trouxeram um público mais cético, reguladores mais atentos e uma base de usuários que já viu esse filme. A aprovação dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos, em janeiro de 2024 (SEC, 2024), foi um marco simbólico dessa virada: o capital institucional entrou, e com ele veio uma régua de escrutínio que o marketing de hype não passa.

Mesmo assim, a estrutura de incentivos interna dos projetos continua premiando o curto prazo. Fundadores precisam mostrar tração para investidores, investidores precisam de eventos de liquidez, e o caminho mais rápido para ambos é inflar métricas. O resultado é um marketing zumbi: todo mundo sabe que não funciona, mas ninguém para de fazer, porque parece movimento.

Erro 1: airdrop como aquisição, não como recompensa

O airdrop é o exemplo mais claro da arte perdida. A ideia original era elegante: distribuir propriedade do protocolo para quem realmente usou e ajudou a construir. Virou o oposto: um subsídio de aquisição de usuário que atrai exatamente o público errado.

O ciclo é previsível. O projeto anuncia (ou insinua) um programa de pontos. Farmers profissionais, muitos operando centenas de carteiras, inundam o protocolo com atividade artificial. As métricas explodem, o time comemora, o token é lançado. No dia seguinte, os farmers vendem, a atividade despenca e o gráfico de retenção vira um penhasco. O projeto pagou caro para descobrir que não tinha usuários, tinha mercenários.

O caso do airdrop da Arbitrum, em março de 2023, já mostrava o padrão: apesar dos esforços de filtragem, análises on-chain da época identificaram milhares de carteiras sybil agrupadas que capturaram fatias relevantes da distribuição (Nansen, 2023). De lá para cá, o farming só se profissionalizou.

O contraexemplo mais citado da indústria é a Hyperliquid, que em novembro de 2024 distribuiu a maior parte do supply do token HYPE para usuários reais da plataforma, sem alocação para fundos de venture capital e sem campanha de marketing tradicional (The Block, 2024). O produto veio primeiro, a distribuição recompensou uso genuíno, e a comunidade defendeu o projeto porque era dona dele de verdade. Não é que airdrop morreu. O que morreu foi o airdrop como substituto de produto. O teardown do points system do Lombard mostra em detalhe como desenhar incentivo que filtra mercenário em vez de atraí-lo.

Erro 2: KOL pago genérico e a ilusão do alcance

O segundo vício do playbook antigo é a compra de influência por atacado. O projeto fecha pacote com uma lista de KOLs, todos publicam threads quase idênticas na mesma semana, e o feed cripto vira um mural de publieditorial que a audiência aprendeu a ignorar (quando não a desconfiar ativamente, já que post pago em sequência virou sinal clássico de topo local).

O problema não é trabalhar com criadores. É tratar criador como espaço de mídia em vez de tratá-lo como parceiro de narrativa. Influência em cripto funciona quando três condições se alinham:

  • Afinidade real: o criador usa ou entenderia usar o produto, e a audiência dele é o público-alvo de fato, não "cripto em geral".
  • Liberdade editorial: o conteúdo nasce da visão do criador sobre o produto, não de um texto aprovado pelo jurídico do projeto.
  • Horizonte longo: relação contínua, em que o criador acompanha a evolução do produto, em vez de um post isolado no lançamento.
Sem isso, o que se compra é alcance vazio: impressões que não viram usuários, de uma audiência que já viu aquele mesmo criador promover outros vinte tokens. Quando influência é tratada como linha de mídia, com brief, rastreio e cobrança por resultado, o jogo muda, como mostramos em advertising cripto que converte.

Erro 3: falar só para a bolha

Grande parte do marketing web3 é autorreferente: projetos falando com outros projetos, usando jargão que só faz sentido para quem já está dentro. Modularidade, restaking, abstração de conta, intents. Termos que descrevem arquitetura, não benefício.

Enquanto isso, os raros casos de crescimento fora da bolha vieram de quem traduziu cripto para linguagem de gente normal. A Pudgy Penguins colocou pelúcias nas prateleiras do Walmart em 2023 e transformou NFT em marca de consumo (CNBC, 2023). O Polymarket virou referência de mídia durante a eleição americana de 2024, citado por veículos tradicionais como termômetro da corrida, levando mercados de previsão para um público que nunca tinha aberto uma carteira (Reuters, 2024). Nenhum dos dois cresceu falando de infraestrutura. Cresceram falando de coisas que as pessoas já queriam: colecionáveis e opinião sobre política.

A lição é desconfortável para quem vive de tecnologia: o usuário não quer saber como funciona. Quer saber o que muda na vida dele. Marketing web3 que não faz essa tradução está apenas redistribuindo a mesma liquidez entre os mesmos dez mil insiders.

Erro 4: métricas de vaidade como bússola

Seguidores no X, membros no Discord, TVL inchado por incentivos, volume de transação de farmers. O marketing web3 se acostumou a medir o que é fácil de inflar, e por isso mesmo o que menos informa.

A pergunta que separa projeto de esquema é uma só: quantas pessoas continuariam usando o produto se todo incentivo financeiro sumisse amanhã? Essa é a métrica de verdade, e quase nenhum dashboard de marketing a acompanha. Retenção de coorte sem incentivo, usuários orgânicos recorrentes, profundidade de uso, contribuição espontânea de comunidade. São números mais lentos, mais difíceis e infinitamente mais honestos.

Quando o marketing é avaliado por métricas de vaidade, ele otimiza para vaidade. Campanhas viram fábricas de números bonitos para o pitch deck, e o time inteiro passa a trabalhar para o gráfico errado.

O que voltou a importar (e nunca deveria ter saído)

A arte perdida do web3 marketing não é nenhum segredo esotérico. São os fundamentos que qualquer grande marca domina, adaptados às particularidades de um mercado aberto, global e cético:

1. Posicionamento antes de amplificação. Antes de gastar um real em distribuição, o projeto precisa responder com clareza: que problema resolve, para quem, e por que essa solução é diferente das outras trinta iguais. A maioria dos projetos web3 não tem essa resposta em uma frase. Se o fundador não consegue explicar, nenhum KOL vai conseguir.

2. Utilidade que se sustenta sem subsídio. Marketing não conserta produto. Se toda a tração depende de emissão de token, o marketing está apenas administrando a velocidade da queda. O trabalho de marketing sério começa validando que existe uso real para amplificar.

3. Comunidade como produto, não como audiência. Comunidade real não é um Discord com 100 mil membros esperando snapshot. É um grupo menor de pessoas que usam o produto, contribuem, discordam, criam conteúdo espontâneo e defendem o projeto quando o mercado vira. Isso se constrói com acesso ao time, transparência nos erros, rituais consistentes e reconhecimento de quem contribui. É lento, não escala com dinheiro, e é exatamente por isso que é defensável.

4. Narrativa consistente e educação de mercado. Os projetos que dominam ciclos são os que educam o mercado sobre a categoria antes de vender o produto, a mesma tese que Amanda Cassatt defende no livro Web3 Marketing, que resenhamos aqui. Conteúdo próprio, dados originais, presença constante nas conversas relevantes, um ponto de vista claro sobre para onde o setor vai. Narrativa não é slogan de campanha: é a história que o mercado conta sobre você quando você não está na sala.

5. Distribuição pensada para fora da bolha. Parcerias com marcas de consumo, conteúdo em linguagem acessível, canais onde o público mainstream já está. O próximo bilhão de usuários não está lendo thread técnica no X. Está no YouTube, no TikTok, na newsletter de finanças pessoais.

O caminho certo é mais lento, e é por isso que funciona

Existe uma razão estrutural para o playbook de 2021 continuar vivo: ele é rápido. Hype se fabrica em semanas, fundamento se constrói em anos. Num mercado viciado em ciclos curtos, a paciência virou vantagem competitiva.

Essa é a oportunidade. Enquanto a maioria dos projetos disputa a atenção dos mesmos farmers com os mesmos incentivos, o espaço para quem faz o trabalho de base está praticamente vazio. Posicionamento claro num mar de jargão. Comunidade real num oceano de Discords fantasmas. Conteúdo que educa num feed de shill. O contraste, por si só, já é marketing.

Web3 marketing é uma arte perdida, mas artes perdidas têm uma propriedade interessante: quem as redescobre primeiro joga praticamente sozinho.

Como a Kaleidos pode ajudar

A Kaleidos é uma agência de marketing especializada em cripto, web3 e fintech, e trabalha exatamente essa recuperação de fundamentos: diagnóstico de posicionamento e narrativa, estratégia de conteúdo que constrói autoridade de verdade, comunidade tratada como ativo de longo prazo e distribuição desenhada para alcançar quem está fora da bolha.

Se o seu projeto está preso no playbook de 2021, ou prestes a lançar e decidindo qual caminho seguir, fale com a Kaleidos. A conversa começa pelo fundamento, não pela campanha.

Perguntas frequentes

Por que o marketing web3 é considerado uma arte perdida?

Porque as táticas que funcionaram no bull market de 2021, como hype de lançamento, promessas de valorização e campanhas de airdrop, pararam de gerar resultado sustentável, mas continuam sendo copiadas. Os fundamentos de marketing que realmente constroem projetos duráveis, como posicionamento, utilidade e comunidade real, foram deixados de lado pela maioria do mercado.

Quais são os erros mais comuns de marketing em projetos web3?

Os principais são: usar airdrop como estratégia de aquisição em vez de recompensa por uso real, contratar KOLs genéricos sem afinidade com o produto, confundir métricas de vaidade (seguidores, membros no Discord) com tração, comunicar apenas para quem já está dentro do nicho e não ter posicionamento claro que explique por que o projeto existe.

Airdrop ainda funciona como estratégia de marketing?

Funciona quando recompensa comportamento real e alinhado ao produto, como fez a Hyperliquid em 2024 ao distribuir tokens para usuários genuínos da plataforma. Não funciona quando é desenhado para inflar métricas: nesse caso atrai farmers profissionais que vendem o token no primeiro dia e abandonam o projeto, deixando gráficos de retenção em queda livre.

O que é marketing de fundamentos em web3?

É construir a base antes da amplificação: posicionamento que explica o problema que o projeto resolve, produto com utilidade que sobrevive sem incentivo financeiro, comunidade formada por usuários reais e não por caçadores de recompensa, e uma narrativa consistente que educa o mercado ao longo do tempo, em vez de depender de picos de hype.

Como a Kaleidos aborda marketing para projetos web3?

A Kaleidos trabalha marketing cripto a partir dos fundamentos: diagnóstico de posicionamento e narrativa, estratégia de conteúdo que constrói autoridade, comunidade tratada como produto e distribuição pensada para alcançar quem está fora da bolha. A tese é que marketing em web3 é trabalho de construção contínua, não uma campanha de lançamento.

Gostou deste estudo?

A Kaleidos faz isso pelo seu projeto cripto.

Somos a agência cripto-nativa do Brasil. Estratégia, conteúdo e growth do jeito de quem entende o mercado on-chain. Fale com a gente e vamos construir atenção juntos.

Gostou? Compartilhe com quem precisa ler.

Gabriel Madureira

Gabriel Madureira

Kaleidos

A Kaleidos disseca o que faz tokens e projetos crescerem, e aplica isso em quem constrói no cripto/web3.

Agendar diagnóstico de 30 min

Receba os próximos estudos

Um estudo denso por quinzena, direto no seu email.

Descubra mais artigos

Trabalhe com a Kaleidos

Quer esse nível de estratégia no seu projeto cripto?

Somos a agência cripto-nativa do Brasil. Peça uma proposta grátis e veja como podemos construir atenção, autoridade e growth pro seu projeto.