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A maioria das pessoas nunca vai entender MEV a fundo, e a Jito não tentou fazer isso. Ela fez algo mais inteligente: em vez de explicar o conceito, ela conectou o conceito a um número que qualquer um entende, rendimento. Ao fazer stake de SOL e receber JitoSOL, o usuário passa a capturar uma fatia das gorjetas de MEV que os validadores extraem. O abstrato ("valor máximo extraível na ordenação de transações") vira concreto ("meu stake rende mais").
Isso é reenquadramento de posicionamento, uma das ferramentas mais poderosas e menos usadas do marketing cripto. Você não muda o produto, muda a lente pela qual ele é entendido. MEV deixou de ser um termo técnico assustador e virou uma fonte de yield desejável. É o mesmo movimento que a Kaleidos aplica quando ajuda um projeto a traduzir mecânica complexa em benefício claro, o oposto de gastar energia explicando a tecnologia em vez do valor. A tecnologia é o meio. O rendimento é a mensagem.
A jogada central: um airdrop cirúrgico, não uma chuva
Quando chegou a hora de distribuir o token, a Jito fez o oposto do airdrop genérico que joga token em qualquer carteira. O JTO estreou em 7 de dezembro de 2023, com 10% do supply (100 milhões de 1 bilhão de tokens) alocados ao airdrop e cerca de 90 milhões efetivamente distribuídos, com uma janela de resgate de 18 meses. Mas o desenho é o que importa. A distribuição foi dividida em 80% pros detentores de JitoSOL, 15% pros validadores Jito-Solana e 5% pros searchers de MEV, e a elegibilidade exigia ter acumulado ao menos 100 Jito Points antes de 25 de novembro de 2023, o que qualificou apenas 9.852 carteiras.
Repare no contraste. Enquanto outros projetos espalham tokens pra milhões de endereços caçando engajamento de vaidade, a Jito premiou menos de dez mil carteiras que representavam os três grupos que realmente sustentam a rede: quem faz stake, quem valida e quem opera o MEV. Cada fatia foi pra quem tinha pele em jogo no produto. É exatamente o princípio que a Kaleidos defende em como rodar um airdrop que retém: a distribuição não é uma campanha de aquisição, é o alinhamento entre quem construiu o valor e quem passa a ser dono dele. O token estreou com listagem imediata na Coinbase e subiu cerca de 85% após a estreia, justamente porque foi entregue a um público concentrado e engajado, não pulverizado.
Por que funcionou: alinhar captura de valor com quem usa
O mecanismo por trás do domínio da Jito é o alinhamento de incentivo. Ao fazer as gorjetas de MEV fluírem pros stakers de JitoSOL, a Jito deu a cada participante uma razão econômica direta pra usar o produto dela em vez de outro token de staking líquido. Mais gente fazendo stake em JitoSOL significa mais razão pros validadores rodarem o cliente Jito, o que gera mais MEV capturado, o que aumenta o rendimento, o que atrai mais stakers. O flywheel levou o cliente a rodar em cerca de 94% do stake da Solana no fim de 2024, e o JitoSOL a se firmar como o token de staking líquido de referência da rede, cruzando 13 milhões de SOL em stake por volta de setembro de 2025, segundo a SolanaFloor.
Isso conecta com a tese que a Kaleidos destrinchou no teardown da ressurreição da Solana: o crescimento mais durável vem de infraestrutura que se torna padrão de fato do ecossistema. A Jito não venceu com campanha, venceu tornando-se a camada por onde o MEV da Solana passa, e distribuindo a propriedade dessa camada a quem a alimenta. É o mesmo raciocínio de incentivo que dura: quando o token captura valor real do uso, a demanda por ele não depende de hype.
O teste de estresse: domínio vira risco e a narrativa deriva
Honestidade acima de fanboyismo, sempre. O sucesso da Jito trouxe dois problemas que o case precisa encarar. O primeiro é de concentração: um único cliente rodando 94% do stake da rede é um ponto de centralização que preocupa quem se importa com a robustez da Solana. Dominar o mercado é um triunfo de marca, mas dominar a ponto de virar um ponto único de falha é um risco sistêmico que a própria comunidade cobra.
O segundo é de deriva de narrativa. A Jito nasceu com a tese de MEV como arbitragem sofisticada, searchers capturando ineficiências de mercado. Na prática, ao longo de 2024, a maior fonte de gorjetas passou a ser os bots de trading de memecoin no Telegram, divergindo da história original. O produto continuou capturando valor, mas o valor passou a vir de um lugar bem menos nobre que a narrativa fundadora sugeria. Isso não anula a jogada de marketing, mas mostra que reenquadrar um conceito não congela o que ele significa: a realidade do uso pode arrastar a narrativa pra um lugar que o time não escolheu. A marca precisa acompanhar essa deriva com honestidade, em vez de fingir que a história de 2023 ainda descreve o produto de hoje.
O que a Kaleidos retém disso
A Jito mostra que marketing técnico não é explicar a tecnologia, é traduzi-la em algo que a pessoa quer. Três lições saem daqui:
- Reenquadre o abstrato em benefício concreto. MEV virou rendimento. Você não precisa fazer o usuário entender a mecânica, precisa conectar a mecânica a um número que ele valoriza.
- Mire o airdrop em quem sustenta o produto. Premiar 9.852 carteiras alinhadas vale mais que espalhar token pra milhões. A distribuição é alinhamento de propriedade, não campanha de aquisição.
- Domínio e narrativa precisam de manutenção honesta. Virar padrão de fato traz risco de concentração, e o uso real pode arrastar a narrativa. A marca madura acompanha isso em vez de negar.
A Kaleidos aplica esse raciocínio em projetos de infraestrutura cripto, onde o instinto errado é explicar a tecnologia e o movimento certo é traduzi-la em benefício e distribuir a propriedade pra quem a alimenta. Se o seu projeto tem uma mecânica complexa que ninguém entende e um TGE pela frente, veja os pacotes da Kaleidos.
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