Aerodrome: como virar a praça central de liquidez de um ecossistema inteiro
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Aerodrome: como virar a praça central de liquidez de um ecossistema inteiro
A maioria dos projetos de DeFi tenta atrair liquidez pagando rendimento. A Aerodrome fez diferente: ela se posicionou como a camada onde outros projetos vão pagar pra atrair liquidez. Essa inversão é o coração do case, e é o que separa uma
Resumo
A Aerodrome estreou na Base em 28 de agosto de 2023 com menos de US$ 5 milhões de liquidez e virou o maior protocolo da rede, passando de US$ 1 bilhão de TVL em setembro de 2024. A jogada não foi campanha: foi o modelo ve(3,3), que faz os projetos do ecossistema competirem pela liquidez dela.
Gabriel Madureira
Aerodrome: como virar a praça central de liquidez de um ecossistema inteiro
TL;DR: a Aerodrome estreou na Base em 28 de agosto de 2023 com menos de US$ 5 milhões de liquidez nos dois primeiros dias e, em poucos dias, viu depósitos surgirem para mais de US$ 170 milhões em uma única janela de 24 horas, empurrando o TVL total da Base para além de US$ 400 milhões. Um ano depois, ela virou o maior protocolo da rede, com US$ 1,02 bilhão de TVL em 27 de setembro de 2024. A jogada de marketing não foi anúncio: foi um mecanismo de incentivo (o modelo ve(3,3)) que fez a liquidez do ecossistema inteiro se coordenar em volta de um único ponto. A Kaleidos lê a Aerodrome como a aula de que, em DeFi, o produto é o incentivo, e o incentivo é a mídia.
A maioria dos projetos de DeFi tenta atrair liquidez pagando rendimento. A Aerodrome fez diferente: ela se posicionou como a camada onde outros projetos vão pagar pra atrair liquidez. Essa inversão é o coração do case, e é o que separa uma corretora descentralizada qualquer da praça central de um ecossistema. Este teardown separa a jogada deliberada, o mecanismo por trás dela e o contraponto que todo modelo movido a emissão precisa encarar.
O ponto de partida: nascer como infraestrutura de uma rede
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A Aerodrome não entrou pra ser mais uma DEX competindo por atenção. Ela foi construída pela Dromos Labs, o mesmo time por trás da Velodrome (a maior DEX da Optimism), como um fork do modelo ve(3,3), e se posicionou desde o dia zero como a DEX nativa da Base, a L2 da Coinbase. Isso é posicionamento por adjacência: em vez de disputar mindshare no vácuo, você se cola à narrativa mais quente do momento e vira a infraestrutura padrão dela.
O timing foi cirúrgico. A Base estava no auge da atenção, e um ecossistema novo precisa de uma coisa antes de qualquer outra: um lugar profundo pra trocar ativos. A Aerodrome se ofereceu como esse lugar. É o mesmo raciocínio de distribuição que a Kaleidos destrinchou no teardown da Base: quando você se acopla ao canal certo no momento certo, o crescimento deixa de depender só do seu esforço.
A Aerodrome ultrapassou US$ 1 bilhão de TVL e virou o maior protocolo da Base em 27 de setembro de 2024 — Fonte: The Block
A jogada central: o incentivo como produto
O motor da Aerodrome é o modelo ve(3,3), e entender ele é entender o marketing. Funciona assim: quem trava o token AERO recebe veAERO, que dá três coisas ao mesmo tempo. Governança, uma fatia das taxas do protocolo e, o mais importante, o poder de direcionar as emissões de AERO pra pools específicas. Em cima disso, protocolos externos pagam "bribes" (subornos, no jargão) pra convencer os detentores de veAERO a mandar emissão pras pools deles.
Repare no que isso cria. A Aerodrome não precisa sair caçando cada projeto pra pedir liquidez. Ela vira o mercado onde os projetos competem entre si pela liquidez dela. Cada novo protocolo da Base que quer profundidade de mercado tem um incentivo direto pra comprar, travar e usar AERO. O crescimento de um projeto qualquer da rede vira demanda pelo token da Aerodrome. É um flywheel que se alimenta do sucesso alheio, o que a Kaleidos classifica como o tipo mais forte de incentivo que dura, porque ele alinha o interesse do protocolo com o de todos os outros players.
A distribuição inicial: mirar quem já era leal
A segunda jogada foi como a Aerodrome distribuiu o token. Em vez de um airdrop genérico caçando qualquer carteira, ela mirou uma comunidade específica que já entendia o modelo: 40% do supply inicial foi airdropado, como veAERO, pros detentores de veVELO da Velodrome, proporcional ao saldo travado de cada um. Os locks do time e dos parceiros iniciais ficaram de fora dessa fatia.
Foi uma decisão de marketing disfarçada de tokenomics. Ao premiar quem já tinha travado VELO na Optimism, a Aerodrome importou de graça uma base que já sabia usar ve(3,3), já entendia bribes e já estava disposta a travar token por longo prazo. Não é atrair usuário do zero, é transplantar uma comunidade educada pra dentro de uma rede nova. Como 90% do supply inicial nasceu travado como veAERO, a pressão vendedora do dia um foi contida por design. A promessa da fase de oferta e a recompensa da fase de token estavam alinhadas, o oposto do que a Kaleidos viu dar errado em outros lançamentos.
Por que funcionou: o efeito de rede da liquidez
O mecanismo por trás do crescimento é o efeito de rede mais bruto que existe em DeFi. Liquidez atrai liquidez. Quanto mais profunda a pool, menor o slippage, mais traders usam, mais taxa gera, mais atraente fica travar AERO pra capturar essa taxa, mais gente compra e trava, mais emissão pra direcionar. O salto de menos de US$ 5 milhões pra mais de US$ 170 milhões em 24 horas não foi sorte, foi o flywheel pegando tração.
O resultado de marca é uma posição quase inatacável: a Aerodrome virou a maior DEX da Base por TVL, volume e taxas, à frente de Uniswap e Aave dentro da rede. Quando um protocolo vira a praça central de um ecossistema, ele para de competir por atenção e passa a ser um pedágio por onde a atividade da rede inteira passa. É o mesmo princípio de captura de valor que a Kaleidos separa da narrativa em tokenomics como ativo de marketing: a posição de infraestrutura é o ativo de marca mais defensável que um projeto pode ter.
O teste de estresse: liquidez alugada não é liquidez leal
Honestidade acima de fanboyismo, sempre. O modelo ve(3,3) tem um furo estrutural que todo projeto movido a emissão precisa encarar: boa parte da liquidez que ele atrai é mercenária. Ela está ali pelo rendimento das emissões, não por lealdade ao protocolo. No dia em que a emissão de AERO valer menos que a de um concorrente, uma fatia dessa liquidez migra. O TVL bilionário é real, mas parte dele é alugada, não comprada.
Isso conecta com o risco que a Kaleidos sempre sinaliza em points programs e programas de incentivo: incentivo infla métrica, mas não garante retenção. A pergunta que separa a Aerodrome de um esquema de emissão qualquer é se as taxas orgânicas de negociação, o valor que os traders pagam de verdade, sustentam o protocolo quando as emissões desacelerarem. Enquanto a Base crescer e a Aerodrome for a praça central dela, o flywheel gira. Se a atividade da rede esfriar, o mesmo mecanismo que atraiu a liquidez pode acelerar a saída dela. O crescimento por incentivo é sempre um empréstimo que vence, e o case ainda está pagando as parcelas.
O que a Kaleidos retém disso
A Aerodrome mostra que, em DeFi, o marketing mais poderoso não é campanha, é design de mecanismo. Três lições saem daqui pra qualquer projeto de infraestrutura ou protocolo:
Cole-se à narrativa certa como infraestrutura, não como concorrente. Ser a DEX nativa de uma rede quente vale mais que disputar mindshare no vácuo. Posicionamento por adjacência é distribuição.
Desenhe o incentivo pra que o sucesso alheio vire sua demanda. O melhor flywheel é aquele em que cada projeto novo do ecossistema tem motivo próprio pra usar seu token. Transforme a liquidez dos outros no seu produto.
Não confunda TVL com lealdade. Liquidez atraída por emissão é alugada. A pergunta de marca é se o valor orgânico sustenta o protocolo quando o incentivo desacelera.
A Kaleidos aplica esse raciocínio em projetos de DeFi e infraestrutura, onde o instinto errado é pagar rendimento pra encher métrica e o movimento certo é desenhar um incentivo que se autoalimenta do crescimento do ecossistema. Se o seu protocolo depende de liquidez e ainda não desenhou o mecanismo que faz outros players trabalharem por você, veja os pacotes da Kaleidos.
Quem trava o token AERO recebe veAERO, que dá três coisas: governança, fatia das taxas do protocolo e o poder de direcionar as emissões de AERO pra pools específicas. Em cima disso, protocolos externos pagam bribes pra convencer os detentores de veAERO a mandar emissão pras pools deles. Assim a Aerodrome vira o mercado onde os projetos da Base competem pela liquidez dela, e o crescimento de qualquer projeto da rede vira demanda pelo token AERO.
Como foi a distribuição inicial do token AERO?
Em vez de airdrop genérico, a Aerodrome mirou quem já entendia o modelo: 40% do supply inicial foi airdropado, como veAERO, pros detentores de veVELO da Velodrome (a maior DEX da Optimism, do mesmo time, a Dromos Labs), proporcional ao saldo travado. E 90% do supply inicial nasceu travado como veAERO, contendo a pressão vendedora do dia um por design. Foi um transplante de comunidade educada pra dentro de uma rede nova.
Qual o risco do crescimento por emissão da Aerodrome?
Liquidez alugada não é liquidez leal. Boa parte do capital atraído pelo ve(3,3) é mercenário: está ali pelo rendimento das emissões, e migra no dia em que a emissão de um concorrente valer mais. A pergunta que separa a Aerodrome de um esquema de emissão qualquer é se as taxas orgânicas de negociação sustentam o protocolo quando as emissões desacelerarem. Enquanto a Base crescer, o flywheel gira; se a atividade esfriar, o mesmo mecanismo acelera a saída.
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