Sui: como pedigree abre a porta e a relação com a comunidade decide se você fica
Poucos projetos começaram com tanta vantagem de credibilidade quanto a Sui, e poucos gastaram tanto dessa vantagem tão cedo. O case é uma aula sobre os limites do pedigree e sobre como se recupera de um começo áspero. Este teardown separa o
Resumo
A Sui, L1 lançada em maio de 2023 pela Mysten Labs com engenheiros ex-Meta, gastou cedo seu pedigree: trocou o airdrop por um Community Access Program que revoltou a base e chegou a banir quem cobrava. Recuperou tração via grants e adoção institucional, com TVL de DeFi acima de US$ 2 bilhões em janeiro de 2025.
Gabriel Madureira
Sui: como pedigree abre a porta e a relação com a comunidade decide se você fica
Poucos projetos começaram com tanta vantagem de credibilidade quanto a Sui, e poucos gastaram tanto dessa vantagem tão cedo. O case é uma aula sobre os limites do pedigree e sobre como se recupera de um começo áspero. Este teardown separa o ativo inicial, o erro de relacionamento e o caminho de recuperação.
O ponto de partida: pedigree como posicionamento
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Em cima disso, ela se diferenciou tecnicamente: um modelo centrado em objetos e execução paralela, com uma variante própria da Move. Ter uma linguagem e uma arquitetura distintas dá à narrativa uma âncora concreta, um motivo pra existir além de "mais uma L1 rápida". Isso é o começo certo de posicionamento: pedigree pra abrir a porta, diferenciação técnica pra justificar a entrada. O problema não foi a largada. Foi o que veio na hora de distribuir o token.
O erro de relacionamento: o programa que quebrou a confiança
Esse é o erro que a Kaleidos mais alerta em como rodar um airdrop que retém: a distribuição não é uma formalidade, é o momento de maior risco reputacional do projeto. Uma base que esperou, participou e se engajou com a expectativa de reconhecimento recebeu, em vez disso, uma venda com desconto e a sensação de ter sido tratada como cliente, não como comunidade. Banir quem cobrava transformou frustração em ressentimento. Nada corrói confiança mais rápido do que silenciar a própria base no momento em que ela cobra transparência. O pedigree abriu a porta, mas o relacionamento a fechou parcialmente logo depois.
Segundo a própria Sui, o TVL de DeFi passou de US$ 2 bilhões em janeiro de 2025, dobrando a partir de US$ 1 bilhão em cerca de três meses — Fonte: blog da Sui
A recuperação: incentivos e trilhos institucionais
O teste de estresse: crescimento comprado não é lealdade
Honestidade acima de fanboyismo, sempre. A recuperação da Sui veio majoritariamente de incentivos de ecossistema e de adoção institucional, não de uma base de varejo apaixonada. Isso importa porque, como a Kaleidos sempre sinaliza, crescimento comprado por grant e liquidez atraída por produto institucional podem se mover quando o incentivo muda ou quando aparece uma rede com pedigree igualmente forte e relação de comunidade melhor.
O contraste com uma abordagem community-first é instrutivo. A Kaleidos analisou no teardown da Berachain o caminho oposto: construir a comunidade antes do produto, de forma que a base seja o fosso. A Sui fez o inverso, liderou com tecnologia e pedigree e tratou a comunidade como uma etapa a ser gerenciada, não como o ativo central. Deu pra crescer assim, mas o custo é uma marca com menos lealdade emocional na base, mais dependente de manter os incentivos e os parceiros institucionais funcionando. Pedigree e adoção institucional são fossos reais, mas são fossos diferentes de uma comunidade que defende o projeto de graça.
O que a Kaleidos retém disso
A Sui mostra que começar com vantagem não garante mantê-la, e que a hora do token é onde a boa vontade se ganha ou se perde. Três lições saem daqui:
Pedigree e tecnologia abrem a porta, não fecham a venda. Uma história de fundador forte e uma diferenciação técnica compram atenção. Mantê-la depende de como você trata quem entra.
A distribuição do token é o teste de confiança, não uma formalidade. Tratar a comunidade como cliente, mudar as regras e silenciar quem cobra transforma expectativa em ressentimento no pior momento possível.
Dá pra recuperar tração por outro canal, mas o motor importa. Incentivo de ecossistema e adoção institucional recuperam crescimento. Só não confunda liquidez subsidiada com lealdade de comunidade.
A Kaleidos aplica esse raciocínio em projetos de L1, infraestrutura e ecossistema, onde o instinto errado é confiar que o pedigree carrega o lançamento e o movimento certo é desenhar a distribuição do token como o momento de construir confiança, não de gerenciá-la. Se o seu projeto tem um começo forte e um TGE sensível pela frente, veja os pacotes da Kaleidos.
Por que o lançamento do token da Sui revoltou a comunidade?
Porque a Sui escolheu não fazer um airdrop tradicional. Em vez disso, rodou um Community Access Program, uma venda com desconto de tokens pra contribuidores iniciais, negando repetidamente que haveria airdrop. Relatos indicam que usuários foram banidos do Discord oficial por levantar o assunto, e residentes e cidadãos dos EUA ficaram inelegíveis. A base que esperava reconhecimento se sentiu tratada como cliente, e o banimento transformou frustração em ressentimento.
Como a Sui recuperou tração depois do lançamento conturbado?
Por dois canais fora da base de varejo original. Primeiro, incentivo de ecossistema: grants da Sui Foundation em tranches de US$ 10 mil a US$ 100 mil, mais bônus em SUI, financiando GameFi e infraestrutura. Segundo, distribuição institucional: no fim de 2024, Franklin Templeton, Grayscale e VanEck passaram a construir a SUI em produtos de investimento, e a Phantom adicionou suporte à rede. Os volumes de DEX subiram de US$ 1,9 bilhão em setembro pra US$ 7,8 bilhões em novembro de 2024, e o TVL cruzou US$ 2 bilhões em janeiro de 2025.
Qual a lição de marketing do case da Sui?
Pedigree e tecnologia abrem a porta, mas a relação com a comunidade decide se você fica. A Sui tinha o pedigree mais forte que existe (engenheiros do projeto Diem/Novi da Meta, criadores da linguagem Move), mas a distribuição do token é o teste de confiança de qualquer projeto cripto. Dá pra recuperar tração por incentivos e trilhos institucionais, só que crescimento comprado por grant e liquidez institucional não equivalem à lealdade de uma comunidade que defende o projeto de graça.
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