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A Sui não precisou construir credibilidade do zero. Ela foi fundada pela Mysten Labs, com engenheiros que vinham do projeto Diem/Novi da Meta e que criaram a linguagem de programação Move. Esse pedigree é, ele mesmo, uma peça de posicionamento, disputado com a Aptos na herança do projeto Diem da Meta. Quando os fundadores carregam uma história técnica séria, o mercado empresta atenção antes de o produto provar qualquer coisa. É crédito de reputação, e a Sui começou com o cofre cheio dele.
Em cima disso, ela se diferenciou tecnicamente: um modelo centrado em objetos e execução paralela, com uma variante própria da Move. Ter uma linguagem e uma arquitetura distintas dá à narrativa uma âncora concreta, um motivo pra existir além de "mais uma L1 rápida". Isso é o começo certo de posicionamento: pedigree pra abrir a porta, diferenciação técnica pra justificar a entrada. O problema não foi a largada. Foi o que veio na hora de distribuir o token.
O erro de relacionamento: o programa que quebrou a confiança
O momento mais sensível da vida de um projeto cripto é a distribuição do token, porque é quando a promessa implícita da comunidade é testada. A Sui escolheu não fazer um airdrop tradicional. Em vez disso, rodou um Community Access Program, uma venda com desconto de tokens pra contribuidores iniciais, negando repetidamente que haveria airdrop. Pior: relatos indicam que usuários foram banidos do Discord oficial por levantar o assunto, e residentes e cidadãos dos EUA ficaram inelegíveis.
Esse é o erro que a Kaleidos mais alerta em como rodar um airdrop que retém: a distribuição não é uma formalidade, é o momento de maior risco reputacional do projeto. Uma base que esperou, participou e se engajou com a expectativa de reconhecimento recebeu, em vez disso, uma venda com desconto e a sensação de ter sido tratada como cliente, não como comunidade. Banir quem cobrava transformou frustração em ressentimento. Nada corrói confiança mais rápido do que silenciar a própria base no momento em que ela cobra transparência. O pedigree abriu a porta, mas o relacionamento a fechou parcialmente logo depois.
A recuperação: incentivos e trilhos institucionais
O que salvou a tração da Sui não foi reconquistar o amor da comunidade original de varejo, foi construir crescimento por outros dois canais. O primeiro foi incentivo de ecossistema. A Sui Foundation rodou programas de grants em tranches de US$ 10 mil a US$ 100 mil, mais bônus em SUI, financiando explicitamente ferramentas de GameFi e infraestrutura, o que atraiu builders pra povoar a rede. Crescimento por subsídio direcionado, não por hype.
O segundo, mais poderoso, foi distribuição institucional. Ao longo do fim de 2024, Franklin Templeton, Grayscale e VanEck passaram a construir a SUI em produtos de investimento, e a Phantom, com mais de 7 milhões de usuários, adicionou suporte à Sui. Esse é o mesmo GTM institucional que a Kaleidos destrinchou no teardown da Ondo: quando marcas financeiras sérias adotam o ativo, elas emprestam credibilidade e abrem canais que nenhuma campanha de varejo alcança. O resultado apareceu nos números, segundo a própria Sui: volumes de DEX subindo de US$ 1,9 bilhão em setembro para US$ 7,8 bilhões em novembro de 2024 e o TVL cruzando US$ 2 bilhões em janeiro de 2025. A Sui provou que dá pra recuperar tração mesmo depois de arranhar a comunidade, desde que se encontre outro motor de distribuição.
O teste de estresse: crescimento comprado não é lealdade
Honestidade acima de fanboyismo, sempre. A recuperação da Sui veio majoritariamente de incentivos de ecossistema e de adoção institucional, não de uma base de varejo apaixonada. Isso importa porque, como a Kaleidos sempre sinaliza, crescimento comprado por grant e liquidez atraída por produto institucional podem se mover quando o incentivo muda ou quando aparece uma rede com pedigree igualmente forte e relação de comunidade melhor.
O contraste com uma abordagem community-first é instrutivo. A Kaleidos analisou no teardown da Berachain o caminho oposto: construir a comunidade antes do produto, de forma que a base seja o fosso. A Sui fez o inverso, liderou com tecnologia e pedigree e tratou a comunidade como uma etapa a ser gerenciada, não como o ativo central. Deu pra crescer assim, mas o custo é uma marca com menos lealdade emocional na base, mais dependente de manter os incentivos e os parceiros institucionais funcionando. Pedigree e adoção institucional são fossos reais, mas são fossos diferentes de uma comunidade que defende o projeto de graça.
O que a Kaleidos retém disso
A Sui mostra que começar com vantagem não garante mantê-la, e que a hora do token é onde a boa vontade se ganha ou se perde. Três lições saem daqui:
- Pedigree e tecnologia abrem a porta, não fecham a venda. Uma história de fundador forte e uma diferenciação técnica compram atenção. Mantê-la depende de como você trata quem entra.
- A distribuição do token é o teste de confiança, não uma formalidade. Tratar a comunidade como cliente, mudar as regras e silenciar quem cobra transforma expectativa em ressentimento no pior momento possível.
- Dá pra recuperar tração por outro canal, mas o motor importa. Incentivo de ecossistema e adoção institucional recuperam crescimento. Só não confunda liquidez subsidiada com lealdade de comunidade.
A Kaleidos aplica esse raciocínio em projetos de L1, infraestrutura e ecossistema, onde o instinto errado é confiar que o pedigree carrega o lançamento e o movimento certo é desenhar a distribuição do token como o momento de construir confiança, não de gerenciá-la. Se o seu projeto tem um começo forte e um TGE sensível pela frente, veja os pacotes da Kaleidos.
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